Numa noite fria, à hora do jantar, pouco movimento se vê em Pias, no concelho de Serpa (Beja), mas, vindo de uma taberna, um coro de vozes masculinas “salta” para a rua e ecoa na pacatez da vila.

Logo ali ao lado, em cima do balcão de mármore, pequenos copos de vinho e pratos recheados com queijo e paio aguardam pela pausa na cantoria, prontos para “olearem” as gargantas e “aconchegarem” os estômagos.

A televisão da sala está desligada. O “filme” que interessa é o do ensaio do Grupo Coral e Etnográfico “Os Camponeses” de Pias, que treina o alinhamento das “modas” do próximo espetáculo.

É nas tabernas que o Cante alentejano, aliado à boa gastronomia da região, ganha maior imponência. Verdadeiros locais de culto, as tabernas tradicionais aliam o Cante à gastronomia alentejana.

O ritual antigo das tascas e tabernas onde os mais velhos se juntam à volta de um copo e de um petisco e trocam “confidências e moengas”. As tabernas não vendem apenas bebidas, são um entreposto de relações humanas.

Há tradições que são para manter.

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