A bitcoin ou moeda eletrónica circula na darknet e não goza de boa fama, mas foi a moeda que mais valorizou em 2017. Será um bom investimento ou um grande risco?

O que é uma Bitcoin?

É uma moeda digital ou eletrónica também designada criptografia. Uma divisa sem forma física, que não pode ser apresentada nem em notas nem em moedas. A bitcoin existe apenas no mundo digital entre milhares de computadores – organizados em blocos – que processam as transações. A tecnologia de base, designada “blockchain”, é um tipo de software que funciona como um registo de contas eletrónicas numa rede informática do mundo inteiro de pessoas que possuem bitcoin e processam transações com esta forma de pagamento. Algumas empresas já tentaram criar bitcoins físicos, uma divisa que se possa manusear, mas sem sucesso. As moedas acabaram por ser transformadas em prendas ou lembranças de viagens.
Como se pode aceder às bitcoins?
As Bitcoins adquirem-se como qualquer outra mercadoria ou como as ações em bolsa, através de corretoras ou de empresas de câmbio como, por exemplo, a Bitfinex, em Hong Kong. Cada pessoa pode constituir a sua própria carteira de bitcoins e receber, pagar, realizar negócios em bitcoins. Em algumas cidades nos Estados Unidos, no Canadá, assim como em São Paulo, no Brasil, em Londres ou mesmo em Portugal há ATM’s caixas como o sistema multibanco, onde se pode converter as moedas correntes em bitcoins para a carteira eletrónica.
Os especialistas alertam, no entanto, para uma realidade: mudar moeda fiduciária para bitcoins é normalmente fácil e barato, mas o contrário é bem mais complicado. Pode-se ser confrontado com prazos muito longos e taxas elevadas de câmbio.

Onde se pode utilizar?

Como qualquer moeda tradicional pode ser usada para comprar mercadorias ou pagar serviços desde que os comerciantes ou prestadores de serviços tenham eles próprios uma carteira eletrónica de bitcoins. Empresas como a Dell, a Microsoft ou a Bloomberg são pioneiras e aceitam regularmente transações em moeda eletrónica. Na internet podem ser encontradas as listas das empresas que aceitam as bitcoins. 
É de salientar que no sistema de transação com bitcoins as garantias e a proteção para o consumidor estão longe de ser perfeitas. Não existem, por exemplo, faturas ou recibos de pagamento. O sistema é tudo menos tradicional. E como qualquer circuito um pouco à margem, o sucesso assenta no anonimato e nos lucros que gera.
Na China, o maior mercado eletrónico, as bitcoins estão a ser usadas para evitar o controlo de capitais e para o envio de dinheiro para o estrangeiro.

É um investimento seguro?

Os investimentos seguros não existem! A bitcoin apresenta grandes riscos e grandes vantagens, dependendo do ponto de vista, na medida em que não está regulamentada oficialmente por nenhum governo ou instituição. O preço tem flutuado muito no passado e vai continuar a flutuar no futuro, certamente.

É legal?

Digamos que as bitcoins na maioria dos países não são ilegais. Escapam ao radar como grande parte da economia digital atualmente (Uber, Airbnb etc…) e, apesar de as autoridades tentarem regular esses mercados, não conseguem inseri-los na economia tradicional.

Qual é a importância da decisão da SEC?

A Securities and Exchange Commission (SEC) é o organismo federal norte-americano de regulamentação e de controlo dos mercados financeiros. Se a SEC der luz verde ao fundo negociado em bolsa Bitcoin (ETF) dos irmãos Winklevoss, este será o primeiro veículo de investimento bitcoin a ser aprovado pelo órgão regulador federal. Será uma decisão peculiar que fará entrar a comunidade “geek” ou a cripto-anarquia nas carteiras de negócios do investidor comum. Isto significa que toda a gente poderá ter acesso às bitcoins mesmo que não tenha sequer um computador. Ou seja, as gerações mais velhas que vivam no campo, os reformados das aldeia, os pequenos comerciantes e as instituições, etc, poderão adquiri-las na esperança de que as bitcoins continuem a valorizar-se e a representar um bom investimento.
Conclusão:
A verdade é que a tecnologia por detrás da Bitcoin, que é a blockchain, veio para ficar. Se quisermos fazer uma comparação, é como a bolha das dotcoms. A bolha rebentou, mas a Internet ficou, temos o Facebook e o Google. Ou sejam a tecnologia na base dessa bolha veio para ficar.
Desde o início do ano, a cotação da Bitcoin multiplicou o valor por 16, desafiando todas as leis da gravidade. Mas já sabemos: Tudo o que sobe acaba por cair.

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